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Floresta

Pela Resolução n.º 167/2017, de 2 de Novembro, o Governo aprovou o Projeto de Restauro e Prevenção Estrutural da Reserva Natural da Serra da Malcata.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 1672017

A floresta constitui uma componente importante do uso do solo e desempenha um papel estruturante no mosaico agro-silvo-pastoril que caracteriza a paisagem do Concelho do Sabugal.

 

As principais áreas florestais do Sabugal estão concentradas a sul (Serra da Malcata e zonas de altitude adjacentes) e a leste (manchas de grande dimensão de carvalho-negral e de azinheira, associadas a sistemas extensivos agro-silvo-pastoris) e na envolvência do rio Côa, complementares da atividade agropecuária.

 

A floresta cobre mais de 60% da área do Perímetro Florestal do Alto Côa. Os povoamentos de pseudotsuga e de pinheiro bravo constituem o coberto florestal mais representativo. O pinheiro larício também ocupa uma área significativa, com povoamentos bem adaptados às estações de maior altitude (e de solos mais pobres).

 

O potencial multifuncional dos espaços florestais

 

De acordo com o Plano Regional de Ordenamento Florestal da Beira Interior Norte (PROFBIN), aprovado pelo Decreto Regulamentar n.º 12/2006, de 24 de Julho, o território do Concelho do Sabugal está dividido em duas sub-regiões homogéneas: Raia Norte e Malcata, sub-região que incide, em exclusivo, no território da Reserva Natural da Serra da Malcata. Estas sub-regiões apresentam um ordenamento funcional distinto que retrata o enquadramento dos recursos florestais do Sabugal no binómio “ativo económico/património natural”.

 

Na macrozonagem territorial do PROFBIN, é sinalizado um bom potencial vegetativo no Concelho do Sabugal para os carvalhos caducifólios (carvalho-negral e carvalho-alvarinho, embora com limitações) e para o castanheiro

 

O abandono das terras tem motivado o crescimento desordenado dos espaços florestais e o aumento da perigosidade dosincêndios florestais, que constituem uma ameaça significativa ao património florestal do Concelho, nomeadamente para os povoamentos de resinosas (p.e., Pinhal bravo)

 

O carvalho negral constitui o principal património florestal do Sabugal e ocorre, sobretudo, sob a forma de povoamentos puros jovens, em alto fuste irregular, com densidades muito variáveis. Este recurso ocupa 66% do coberto florestal, encontrando-se disseminado por todo o Concelho tirando partido da elevada capacidade de regeneração após qualquer alteração de uso do solo: corte raso, incêndio, abertura de clareiras, etc.

 

Os carvalhais apresentam um elevado valor ambiental, embora também sejam suscetíveis de aproveitamento madeireiro (lenhas e madeira).

 

Todavia, a mais-valia destes bosques reside na exploração multifuncional dos produtos não-lenhosos – caça, silvopastoricia, cogumelos silvestres, etc. – , em complementaridade com a atividade agrícola e pecuária. Atualmente, a obtenção de lenhas a partir do corte raso das árvores e o suporte à atividade cinegética constituem os principais usos do carvalho negral.

 

O pinheiro bravo representa 26,5% da ocupação florestal, ocorrendo, sobretudo, em pequenas bolsas de povoamentos puros em alto fuste irregular,

 

Promoção da multifuncionalidade dos recursos florestais e dos produtos não-lenhosos, numa valorização dos recursos endógenos tradicionais, nomeadamente da atividade cinegética, pesca desportiva, silvopastoricia, cogumelos silvestres, mel e de novos aproveitamentos (plantas aromáticas, medronho, turismo/desportos de natureza, …);

 

  • Remuneração dos serviços ambientais, numa lógica de “economia da biodiversidade”, por via dos pagamentos silvo-ambientais no SIC Malcata (Rede Natura 2000) para a gestão de bosques de carvalho-negral decorrentes da programação financeira comunitária – PDR 2014-2020
  • Fomento da silvicultura do carvalho negral e dos povoamentos florestais de produção lenhosa – pinhal bravo e espécies resinosas exóticas, bem como das folhosas produtoras de madeiras nobres (p.e., castanheiro e nogueira); e, com reservas,
  • Valorização económica do aproveitamento de biomassa florestal para fornecimento da Central Termoelétrica de Belmonte e de unidades locais de aquecimento (p.e., piscinas, escolas e equipamentos coletivos).
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