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Biomassa Florestal

A floresta, tradicionalmente encarada como um complemento da exploração agropecuária, tem vindo a perder interesse e relevância nas contas económicas dos agricultores quer em resultado dos incêndios florestais, quer pela redução da procura de madeira de pinho pela indústria da primeira transformação (serrações e fábricas de paletes) e pela desvalorização contínua do preço da madeira.

Assiste-se ao abandono de muitos pinhais em resultado desses fatores, com consequências no agravamento do risco de incêndio e de incidência de agentes bióticos nocivos, na perda de produtividade e comprometendo a qualidade do material lenhoso a obter no corte final.

A valorização económica através do aproveitamento bioenergético dos sobrantes da gestão (desbastes e desramações) e da exploração florestal poderia constituir um fator de indução para o investimento produtivo no pinhal bravo.

As áreas de matos (e os terrenos incultos) têm vindo a aumentar, ano após ano, em resultado dos incêndios florestais recorrentes (muitos destes incêndios têm como objetivo a renovação das pastagens) e do abandono progressivo da atividade agrícola e pecuária desde os anos 60 do século XX; atualmente estas formações ocupam cerca de 25.880 ha (31,3%).

Ainda no domínio do potencial do aproveitamento energético dos recursos endógenos do Concelho do Sabugal, um estudo recente referenciou a Beira Interior Norte como o território com “maior potencial bioenergético, decorrente da valorização dos recursos florestais existentes (sobrantes da gestão e exploração florestal/subprodutos da primeira transformação de madeira), num contexto em que se advoga a utilização de bioenergia como uma solução viável na Região Centro”

Na envolvente do Concelho do Sabugal, a Central Termoelétrica a Biomassa Florestal de Belmonte (2 MW de potência instalada), inaugurada em 2010, tinha prevista a valorização bioenergética dos resíduos florestais da região, com a instalação prevista de três parques de recolha em Belmonte, Sabugal e Penamacor.

O parque de recolha de biomassa florestal do Sabugal não chegou a ser instalado para esse efeito, pelo que esta infraestrutura não contribuiu para a dinamização da gestão dos povoamentos florestais que, em algumas zonas apresentam uma elevada acumulação de biomassa suscetível de valorização económica através do seu aproveitamento energético.

É assim urgente a criação de um parque de recolha de biomassa florestal ou outra forma de aproveitamento bioenergético (p.e., industria de pellets).

Muito importante seria ainda o surgimento de uma Empresa de Gestão de Ativos Florestais.

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