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Autossustentabilidade

PLANO da Aldeia de Malcata “Para a AUTOSSUSTENTABILIDADE”

A AMCF pretende hoje iniciar e posteriormente desenvolver o conceito de Aldeia Autossustentável.

Malcata tem hoje consciência dos valores da ecologia, da preservação da biodiversidade, com uma marca mítica associada “Lince da Malcata”

Malcata tem hoje Parque Eólico – Mini-hídrica – Biomassa Florestal.

Malcata poderá amanhã adicionar SOLAR e ARMAZENAMENTO de energia elétrica.

Malcata poderá amanhã integrar devidamente o espelho d’agua na economia concelhia.

Malcata poderá amanhã ser uma referência no Turismo da Natureza integrando a rede europeia das comunidades autossustentáveis

Para arranque do projeto “AUTOSSUSTENTABILIDADE” a AMCF divulga hoje, para APRECIAÇÂO PUBLICA, a Memória Descritiva que servirá de base a um “Concurso de ideias” a lançar em 2017.

O desafio é desenvolver uma ampla reflexão sobre o património cultural e urbanístico.

O projeto está na linha da CARTA EUROPEIA do TURISMO SUSTENTÀVEL “Terras do Lince”

O futuro concurso terá a designação “JUNTAR ÁGUA para a AUTOSSUSTENTABILIDADE”.

Se estás interessado em participar nesta apreciação pública consulta a respetiva  Memória Descritiva “Malcata: passado, presente e futuro” em:

www.malcatacomfuturo.pt

e dá a tua opinião para:

malcatacomfuturo@gmail.com

COLABORA – PARTICIPA


MALCATA ALDEIA AUTOSSUSTENTÁVEL
Uma ideia genial

Não sendo de Malcata, conheço pouco a aldeia. No entanto, só pelo facto de ter acabado de ler nesta página que Malcata está a um passo de ser uma aldeia autossustentável em termos de energia fico atolado em inveja. Mas da boa.
Por motivos profissionais escrevi – durante mais de oito anos – sobre energias renováveis e acompanhei de perto projetos em vários países e também e Portugal. Mas nunca deparei com algo de tão original e inovador como esta proposta aqui feita para Malcata, aldeia de que tanto gosto neste meu concelho de que tanto me orgulho.
Vi um projeto muito parecido na Dinamarca (o segundo país mais desenvolvido do mundo, a seguir ao Japão) que me fascinou.
O resultado da queima de biomassa, um ano depois de ter sido iniciado o projeto, foi de tal ordem significativo que – imagine-se – começou a ser lucrativo. E sabem para quem reverteram desde logo os lucros? Para todos os cidadãos que entraram nesse mesmo projeto, sob a forma de tarifas cada vez mais baixas tanto no calor como na eletricidade.
A única diferença em relação ao projeto que aqui vejo defender para Malcata é que naquele caso – na Grande Copenhaga – também se queimavam resíduos sólidos urbanos, para além da biomassa (e da queima resultava calor e também eletricidade).
Bom, outra grande diferença é que a Dinamarca é mesmo um país desenvolvido e Portugal tem apenas tiques e, em muitos casos, olhamos apenas para a árvore e não para a floresta.
Ora, em Malcata, parece que finalmente alguém começou a olhar – literalmente – para a floresta e para todo o potencial que lhe está associado.
Tenho pena de não poder fazer isso na minha aldeia, de que gosto genuinamente, mas que está apenas rodeada de granito. Bom mas, pelo menos, tivemos o engenho de por todas aquelas pedras a dar música e isso já nos valeu o reconhecimento nacional, e preparamo-nos agora para internacionalizar o nosso conceito de ‘Bendada Aldeia Cultural’, uma aldeia que diz não à desertificação com uma aposta séria na Cultura. Temos a ambição de fazer da Bendada um caso de estudo a nível europeu. Acreditamos que isso pode ser bom para a Bendada e, por arrastamento, para todo o concelho do Sabugal. Sonhamos com isso há alguns anos. E também acreditamos naquelas palavras do poeta que dizem que ‘o sonho comanda a vida’.
Ok, poesia à parte, Malcata está confrontada com uma possibilidade única de fazer história no país das aldeias. Nessa parte do país para a qual o Estado se tem estado descaradamente nas tintas há décadas e para a qual nem se esforça em apresentar soluções.
A solução que aqui vi de tornar Malcata uma aldeia autossuficiente em termos energéticos pode ser, como a Bendada, um caso de estudo internacional. Pela natureza do projeto em si mesmo mas também pela economia de escala que pode acabar por gerar.
O concelho do Sabugal tem de saber o que tem em mãos e tem de saber acarinhar e impulsionar esta ideia até ao limite das suas forças.
Os malcatenhos – de que tanto gosto e aprecio – têm de ter a humildade e a ambição (em simultâneo) de perceberem que podem fazer a diferença e que podem vir a ser uma referência e um exemplo para muitas outras aldeias com potencial semelhante no domínio das renováveis e da biomassa florestal em particular.
É deste tipo de situações que se faz o futuro de um dos concelhos mais mal tratados pelo processo de desertificação em curso e, por arrastamento, de um país que precisa de inovação, visão, estratégia e ambição como do pão para a boca.
Nem sei bem porque é que estou para aqui com tanto ‘latim’ se o que nós precisamos em Malcata (e em todo o nosso concelho) é mesmo de ação. Menos palavras e mais concretização. Mas não ficaria bem comigo se não assinalasse aqui mesmo a grandeza do projeto com que deparei da Malcata Aldeia Autossustentável. Sinceramente, o tema fascinou-me e deu-me um alento suplementar: se calhar vale mesmo a pena gostarmos a sério das nossas terras.
Porém, ‘gostar’ não chega. É preciso mais que isso.
Costumo dizer que, a cada um de nós, ficaria muito bem contribuir nem que fosse apenas com os chamados serviços mínimos de cidadania. Aqueles que vão para além dos que prestam as entidades públicas e oficiais e que são essenciais mas, muitas vezes, não chegam.
Chega de conversa.
Parabéns – mais uma vez – a Malcata.
É bom ver mais uma aldeia do meu concelho e dizer que não quer ficar amarrada ao marasmo, ao conformismo e ao massacre da desertificação (e da falta de ambição).
Não. Não estamos num país em guerra convencional (daquelas que matam), mas estamos numa luta desigual pela sobrevivência das nossas pequenas terras.
Seria um erro ENORME ignorar o que aqui se propõe para Malcata, em termos de futuro sustentável e proveitoso para toda a comunidade.
Malcata só não fará a diferença se não quiser. Só não ganhará esta batalha se estiver mais ocupada em ficar cada vez mais na mesma.
Pelo que já vi, acredito que sim, que Malcata quer mesmo dizer ‘presente’ (e ‘futuro’).
O caminho faz-se andando e Malcata cativa quem passa por lá.
Tenho passado por lá e tenho gostado muito.

Vítor Andrade

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