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As nossas Gentes nas suas relações espaciais

Malcata, foi e é uma aldeia muito exposta à serra. Foi uma aldeia pequena. Em 1527 teria apenas 13 fogos a que corresponderiam meia centena de moradores e aquando da implantação da Republica teria já cerca de 200. Foi evoluindo.

Em Malcata, nos anos 50 e 60, vivia-se mal. As atividades de subsistência eram precárias. O carvão e o minério eram para muitos a base do sustento. A vida era dura. Devido à exiguidade de recursos locais os Malcatenhos viram-se forçados a emigrar para as grandes cidades e para outros países. A Argentina foi o primeiro local de destino e os que ficavam adotavam as estratégias de sobrevivência baseadas na agropecuária que obrigavam a que se deitasse a mão a tudo. A aldeia foi-se despovoando e a partir da década de 1950 começou a acontecer uma autentica debandada para França, tendo vindo a tornar-se o destino prioritário.

As mudanças começaram a verificar-se. Foram-se entretanto mudando comportamentos e mentalidades. A aldeia antiga foi dando lugar a uma nova. Residentes e filhos de emigrantes tentaram níveis de escolaridade mais elevados e na generalidade sentiu-se alteração na qualidade de vida, dos que partiam e dos que ficavam. Experimentou-se uma vida melhor foi época de fartura! Contudo a aldeia foi ficando desertificada, e neste momento cada vez mais envelhecida. As novas gerações optam por visitar a aldeia dos seus ancestrais mas a maioria não pretende regressar. Regressam sim, muitos daqueles que sendo já reformados sempre sentiram a necessidade de voltar às origens. Muitos outros, mais concretamente filhos destes, não manifestam grande identificação com a terra dos seus progenitores, visitando-a por norma em Agosto, para contactarem familiares e assistirem à festa de Verão. Regressam a França. Ficam por Malcata os que nunca emigraram, e os ex-emigrantes, já reformados, mantendo estes uma ligação estreita com o país que lhes deu abrigo, e que ainda legitimamente lhes proporciona cuidados de saúde com segurança considerada acrescida.

De Setembro a Julho a aldeia despovoa-se transforma-se e quase parece morta. Não se sente, não se vê grande animação, contudo, no tempo das sementeiras e arranjo das terras, os que estão, começam a estruturar de onde em onde, o prazer da vida a renascer.

Ao redor e ao longe permanece a majestosa serra onde tudo abunda. Ar puro, beleza natural, floresta, fauna, flora, digamos que os ingredientes necessários e suficientes que podem transformar a apatia social em dinamismo, atividade e bem-estar. A importância da serra reside sobretudo na sua relação com as pessoas, nas componentes pastorícia, apicultura, cultura de cereais, florestação de espécies autóctones, arvores que produzam madeira de qualidade, (como sejam carvalho, sobreiro, azinheira, castanheiro cerejeira, nogueira), a silvicultura baseada na vegetação potencial (tisanas de sabugueiro, carqueja, erva das sete sangrias. etc. ), o medronheiro, a apicultura e, as atividades de lazer.

Em suma:

Malcata alia a importantes valores naturais uma paisagem pouco humanizada com predominância das atividades agrícolas de subsistência com base numa estrutura fundiária de pequena dimensão e fragmentada em parcelas.

Nota-se um subaproveitamento económico do potencial dos recursos endógenos, nomeadamente do seu vasto património natural paisagístico.

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